Reajuste do plano de saúde 2027: como o RH pode negociar com dados

Todo ano, entre outubro e novembro, chega ao RH a carta da operadora com o reajuste do plano de saúde. Em geral, as empresas reclamam, pedem um desconto e aceitam um meio-termo. Em 2026, no entanto, repetir esse ritual no automático custa caro demais.
Segundo a 32ª Pesquisa de Benefícios Corporativos da Mercer Marsh Benefícios, o plano de saúde já representa 15,8% dos custos da folha. Portanto, é a segunda maior despesa com pessoas, atrás apenas do salário.
O que mostra a pesquisa
Além disso, o levantamento ouviu 1,7 mil empresas de médio e grande porte. Os principais números:
- o plano de saúde equivale a 15,8% da folha;
- 66% das empresas mudaram seus planos no ano anterior;
- 81% planejavam novas ações no benefício.
Ou seja, a maioria das empresas já está mexendo no plano. A questão é com que qualidade de informação o RH vai agir.
Por que a janela para negociar o reajuste do plano de saúde é agora
Outubro e novembro concentram as renegociações e o fechamento do orçamento de benefícios. Por isso, quem chega à mesa sem entender os próprios custos negocia no escuro.
Afinal, o percentual da carta é só o resultado. Portanto, a negociação de verdade acontece sobre as causas desse número.
Comece pela sinistralidade
A sinistralidade é a relação entre o que o plano gasta com atendimentos e o que ele recebe. Além disso, a operadora usa esse índice para justificar o reajuste. Por isso, o RH precisa conhecê-lo tão bem quanto ela.
O índice sozinho, porém, diz pouco. Para entender o número, olhe também:
- frequência de consultas;
- exames;
- internações;
- idas ao pronto-socorro;
- casos de doenças crônicas.
Se você não tem acesso a esses dados, peça os relatórios de utilização à operadora ou à corretora. Afinal, esse é o primeiro passo.
Como usar os dados para questionar o reajuste do plano de saúde
Assim, com os dados em mãos, o tom da conversa muda. Em vez de pedir para baixar o percentual, o RH passa a fazer perguntas mais fortes:
- “Quais premissas sustentam esse percentual?”
- “Como a nossa sinistralidade se compara à usada no cálculo?”
- “Que ações de saúde vocês propõem para o nosso perfil?”
Uma negociação com dados nem sempre resolve tudo. Mesmo assim, ela quase sempre melhora o resultado e ensina algo para o próximo ciclo.
Cuide do benefício o ano inteiro
A renovação é o momento mais visível. No entanto, o custo do plano se forma nos outros dez meses. Por exemplo, algumas ações que cabem no orçamento:
- campanhas sobre cuidado com a saúde e uso consciente do plano;
- aplicativos de saúde para os colaboradores;
- acompanhamento de indicadores de uso;
- pesquisas de satisfação com o benefício.
Ferramentas de análise de dados ajudam a enxergar padrões. Além disso, elas mostram a ligação entre uso do plano, faltas e afastamentos.
Saúde não é só custo
Tratar o plano só como linha de orçamento tem um risco: cortar justamente onde as pessoas mais precisam. Por isso, equilibre duas perguntas. Primeiro: quanto a empresa pode gastar? Depois: do que as pessoas realmente precisam?
Afinal, uma economia na renovação pode voltar como custo em retenção, faltas e clima. Além disso, o adoecimento da equipe também tem impacto jurídico, como mostra o aumento das ações trabalhistas por burnout.
Roteiro de quatro semanas para o reajuste do plano de saúde
- Semana 1: peça os relatórios de sinistralidade e utilização.
- Semana 2: identifique o que mais pesa no custo e cruze com faltas e afastamentos.
- Semana 3: prepare as perguntas sobre o reajuste e as ações de saúde.
- Semana 4: leve os dados para a negociação e registre os compromissos para 2027.
Em resumo
- O plano de saúde consome 15,8% da folha e é a segunda maior despesa com pessoas.
- Outubro e novembro concentram as negociações: a hora é agora.
- Sinistralidade e perfil de uso são a base para questionar o reajuste.
- Gestão de saúde contínua ajuda tanto o orçamento quanto o colaborador.
Uma boa negociação começa antes da carta da operadora, com dados organizados sobre as pessoas. A Burh ajuda o RH a conectar benefícios, faltas e retenção para decidir melhor.
Fonte: Você RH, 23/10/2026, com dados da Mercer Marsh Benefícios.
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