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    Tecnologia & Digital

    A IA já está escrevendo roteiros com jornadas de 18h e salário de estagiário. O que isso faz com quem ainda é humano no processo?

    28 de mai. de 2026 3 min de leitura
    A IA já está escrevendo roteiros com jornadas de 18h e salário de estagiário. O que isso faz com quem ainda é humano no processo?

    O artigo

    Em julho de 2023, roteiristas de Hollywood cruzaram os braços. A greve durou 148 dias. A principal demanda não era salário. Era uma garantia de que a inteligência artificial não seria usada para substituir trabalho humano criativo, que os estúdios não poderiam usar IA para gerar roteiros e pagar a um escritor para “revisar”, driblando contratos e reduzindo custos.

    Os roteiristas venceram. Conseguiram proteções contratuais específicas. O acordo foi celebrado como vitória histórica contra a automação.

    Em 2026, há ferramentas de IA escrevendo microdrama para TikTok em escala industrial, com aprovação de um editor humano em 15 minutos. A greve venceu a batalha. A guerra, como sempre, continuou em outro campo.

    O que mudou e o que não mudou

    A greve de Hollywood foi o primeiro grande confronto formal entre trabalhadores criativos e automação. O que ela documentou não foi a vitória dos roteiristas, mas a velocidade com que a tecnologia se adapta aos acordos que tenta regular.

    O argumento dos estúdios durante a negociação era o mesmo que aparece em toda empresa hoje: “A IA não vai substituir pessoas. Vai ampliar a capacidade delas.” Dois anos depois, 92% dos CHROs globais já reportam expansão do uso de IA nas operações. Não é sobre apocalipse. É sobre uma transformação que está acontecendo ao vivo, sem roteiro aprovado, e que o RH precisa conduzir em vez de apenas reagir.

    O que o time já está fazendo sem você saber

    A maioria dos times já usa IA. Só que escondido.

    Pesquisa da Microsoft com trabalhadores globais mostrou que 78% dos profissionais que usam ferramentas de IA no trabalho não contam para o gestor por medo de parecer preguiçoso, de ter o trabalho desvalorizado, ou de sinalizar que parte da sua função é automatizável.

    O RH que não criou espaço aberto para essa conversa não tem um time que não usa IA. Tem um time que usa IA em silêncio, sem protocolo, sem critério de qualidade e sem saber quais dados podem ser colocados em sistemas externos.

    A ansiedade de substituição (o medo de ser tornado obsoleto pela tecnologia) é hoje um dos principais fatores de estresse documentados por pesquisas de bem-estar organizacional. A NR-1 atualizada enquadra isso como risco psicossocial: ambientes de incerteza sobre o futuro das funções adoecem as pessoas.

    A pergunta que o RH precisa fazer antes do setor de TI

    Não é “vamos usar IA?”. Já estão usando. A pergunta é: as pessoas se sentem seguras para falar sobre o impacto da IA no próprio trabalho? Têm espaço para desenvolver novas habilidades sem o medo de que admitir a lacuna significa admitir a própria substituição?

    Os roteiristas de Hollywood precisaram de greve para ter essa conversa formalmente. O RH tem a chance de fazer isso antes da crise.

    Seu time já usa IA.

    A diferença está em se eles usam com autonomia e clareza, ou com medo e silêncio.

    Essa resposta vai definir se a transformação tecnológica da sua empresa vai ser vantagem competitiva ou o próximo caso de NR-1.

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